PT
Research

Como os momentos culturais geram oportunidades para as marcas

Como os momentos culturais geram oportunidades para as marcas
Victor Lopez

Victor Lopez

Gerente Regional de Dados (HISPAM) na VML, Embaixador da YouScan

Publicado originalmente 29 July 2026

Atualizado 30 July 2026

Estudo de caso de escuta social: O Diabo Veste Prada 2 + Met Gala 2026 

Por: Victor Lopez

Muitas vezes, a moda é vista como uma conversa de nicho. No entanto, quando ela cruza com fenômenos culturais como um filme emblemático ou um evento global, deixa de ser um tópico específico para se tornar uma conversa de grandes proporções. É durante esses momentos que a escuta social nos permite entender o quanto as pessoas estão falando, por que o público cria uma conexão com certos códigos culturais e como as marcas podem participar disso de forma relevante. 

Metodologia

  • Como foi realizado: as palavras-chave associadas a ambos os casos (O Diabo Veste Prada 2 e Met Gala 2026) foram analisadas usando a ferramenta de escuta social da YouScan. Com esses termos, a conversa pública nas redes sociais e nas mídias digitais foi coletada e classificada para identificar o volume de menções, as fontes, os autores e os principais temas associados.

  • Mercado: México.

  • Período analisado: de 1 de janeiro a 27 de maio de 2026.

  • Foco: conversas digitais sobre moda, cultura pop, celebridades e ativações de marca.

  • Principais dados: no caso de O Diabo Veste Prada 2, os números correspondem a 100% das menções detectadas durante o período: 41.734 menções, 542 fontes e 22.252 autores. No caso do Met Gala 2026, devido ao volume de conversas gerado em uma janela muito curta, a análise foi realizada com uma amostra de 10% das menções, a partir da qual as projeções estimadas foram calculadas para o total: 76.200 menções estimadas, com um pico de 34.700 menções em 4 de maio.

  • Identificação das marcas: as marcas com conteúdo reativo foram identificadas de forma exploratória no Instagram, Facebook e TikTok. 

Dois impulsos, dois gatilhos diferentes 

A análise comparou dois eventos que reativaram a conversa sobre moda de pontos de partida bem distintos:   

  • O Diabo Veste Prada 2 deu início às conversas a partir de nostalgia pop, o retorno de uma franquia icônica, o elenco e o imaginário ambicioso da moda.

  • Já o Met Gala 2026 gerou as conversas a partir do espetáculo em tempo real: celebridades, looks, opinião pública e crítica cultural.

Os dois casos mostram que a moda pode virar uma conversa massiva quando ligada a códigos culturais reconhecíveis, mesmo que o caminho para chegar lá seja diferente para cada um. 

O Diabo Veste Prada 2, Meta Gala 2026O Diabo Veste Prada 2, Meta Gala 2026

O Diabo Veste Prada 2: o poder da expectativa

Entre 1 de janeiro e 27 de maio de 2026, o filme acumulou 41.700 menções no México, com 542 fontes e 22.252 autores únicos. A conversa não se limitou ao lançamento do filme: ela ativou tópicos relacionados a moda, nostalgia, celebridades, cultura pop e marcas.  

O Diabo Veste Prada 2, total de mencoesO Diabo Veste Prada 2, total de mencoes

O ponto mais alto da ativação ocorreu no final de março, quando a conversa passou de 4 mil menções diárias, impulsionadas pela tour promocional e pelo tapete vermelho na Cidade do México. Isso mostra que o gatilho mais forte não foi somente o filme como um produto, mas a chegada do universo da franquia a um momento visível, compartilhável e localizado no país.

Quarenta e três por cento da conversa se concentrou na expectativa do retorno de uma franquia que vinha sendo esperada por quase 20 anos, confirmando que o interesse já vinha crescendo antes da estreia, gerado pelo desejo de se reconectar a personagens, estéticas e códigos culturais reconhecíveis. 

As marcas participaram em três níveis distintos:

O embalo do filme não impactou todas as marcas da mesma maneira. Foram identificados três níveis de participação:  

1. Marcas mencionadas devido ao contexto cultural e narrativo

Este primeiro nível reúne as marcas que o público associou naturalmente ao universo do filme e seus códigos culturais, como moda, luxo, alta costura e estilo editorial. Entre as mais mencionadas estavam Versace, Vogue, Gucci, Balenciaga, Prada, Armani Privé, Dior, Givenchy, Schiaparelli, Cartier, Bvlgari e Dolce & Gabbana; destas, Versace e Vogue juntas representaram 27% das menções à marca identificadas. Sua presença não necessariamente respondeu a campanhas ou ativações, mas ao fato de que são parte do imaginário cultural que o público usou como referência para falar sobre o filme. 

Devil Wears Prada 2Devil Wears Prada 2

2. Marcas com co-branding ou licenciamento oficial

Marcas como Coca-Cola/Diet Coke, Starbucks, L'Oréal Paris, TRESemmé e M&M's se destacaram por ativações ligadas a produtos e experiências temáticas. O licenciamento traz legitimidade, mas o sucesso depende de uma conexão autêntica entre o universo do filme e a marca. 

Devil Wears Prada 2_StarbucksDevil Wears Prada 2_Starbucks

3. Marcas que entraram com conteúdo reativo

Sem uma associação oficial, mas reinterpretando códigos reconhecíveis por meio de sua própria linguagem: Panditas, IKEA, Chocolate Abuelita, Lala, Bodega Aurrera e KFC usaram referências como o salto agulha vermelho, frases icônicas como “Isso é tudo”, humor contextual e adaptações da estética do filme.

Reactive Content Devil Wears Prada 2Reactive Content Devil Wears Prada 2

Met Gala 2026: janela curta, máximo impacto 

Diferentemente do filme, o Met Gala teve um impulso de alta intensidade e curta duração. Com base em uma amostra de 10% das conversas, são projetadas 76.200 menções estimadas, com um pico em 4 de maio de 34.700 menções em um único dia.

Aqui não houve semanas de expectativa: o impacto ficou concentrado no próprio evento, ativando conversas em tempo real sobre looks, celebridades, rankings, cobertura e crítica cultural. O X funcionou como o principal termômetro de volume (reações imediatas, minuto a minuto), enquanto o TikTok amplificou o impacto visual com looks, chegadas de celebridades e opiniões em um conteúdo de alto engajamento.  

Met Gala 2026 total mentionsMet Gala 2026 total mentions

A conversa girou principalmente em torno das celebridades e seus looks, mas também incorporou camadas de discussões sobre performance, música, arte, beleza e crítica social.  

Tópico

Amostra de 10%

Projeção estimada

Celebridades

2.084

20.800

Evento

1.170

11.700

Moda

803

8.000

Trajes

378

3.800

Protesto

134

1.300

Música

134

1.300

Arte

103

1.000

Beleza

79

790

Neste caso, as marcas ganharam relevância através das celebridades que as vestiram. Dior, Saint Laurent/YSL e Thierry Mugler foram os exemplos mais relevantes; a Dior concentrou o maior peso com 1.300 menções estimadas, impulsionadas pela sua associação à Jisoo e seus trajes. Diferentemente de outros impulsos, a presença da marca aqui foi baseada no estilo, na criação do look e na figura pública que a vestia.  

Met Gala 2026 social media mentionsMet Gala 2026 social media mentions

Principais conclusões

1. A moda é ativada como uma conversa massiva quando está ligada a códigos culturais reconhecíveis

Em ambos os casos, ela deixou de ser apenas uma questão de estilo ou tendência, tornando-se uma conversa cultural mais ampla. Em O Diabo Veste Prada 2, os gatilhos foram a nostalgia e o retorno de uma franquia emblemática; no Met Gala, foram o espetáculo em tempo real e a opinião pública. 

2. As marcas não partiram de um mesmo lugar 

No caso do filme, as marcas apareceram por meio de três rotas: como referências no contexto de moda, como associações oficiais ou co-branding, e como ativações de conteúdo em tempo real. No Met Gala, a presença das marcas foi menor e mais próxima da conexão celebridade + look + estilista. 

3. O conteúdo em tempo real funciona quando traduz o código cultural, não quando só copia a tendência 

As marcas que estão entrando em um momento cultural precisam identificar o que está realmente fazendo as conversas acontecerem (nostalgia, humor, glamour, fandom, críticas, ambição ou espetáculo) e adaptar esse código à sua própria linguagem, categoria e público. 

4. A escuta social permite a identificação de janelas de receptividade cultural 

O valor desse tipo de análise não está apenas na mensuração de menções, mas também na detecção do momento em que um público está mais receptivo a determinados códigos e que tipo de conversa está disposto a manter. Esses casos mostram que a moda pode se tornar um território para participação em massa quando cruza com entretenimento, celebridades, nostalgia, ambição e espetáculo visual.  

Guia rápido: como as marcas podem usar a escuta social para aproveitar momentos culturais 

1. Identifique os territórios de conversa do seu público

Antes de reagir a uma tendência, identifique os tópicos e interesses que já mobilizam seu público: entretenimento, moda, esportes, música, celebridades, nostalgia e humor, entre outros. Esses pontos de paixão permitirão a você prever que tipos de momentos culturais são mais relevantes à sua marca e concentrar o monitoramento nas oportunidades com maior potencial. 

2. Valide a oportunidade e configure a escuta

Se você detectar um possível momento cultural, primeiro use o módulo de Pesquisa da YouScan para verificar rapidamente se a conversa tem volume e relevância suficientes. Se mostrar potencial, crie um tópico com as palavras-chave, hashtags e contas relevantes para monitorá-lo em tempo real, acompanhando sua evolução conforme a conversa aumenta. 

3. Identifique o que está impulsionando a conversa

Monitore as menções e os picos de conversa usando métricas como engajamento, alcance e volume. Complemente a análise com ferramentas como filtros visuais, detecção de aspecto, nuvens de palavras, análise do público e o Insights Copilot para identificar os temas, perfis e insights que estão dominando o momento. Por fim, analise o que gerou esse pico (um trailer, um evento ao vivo, uma declaração ou um lançamento) para decidir se é uma conversa duradoura ou uma oportunidade que exige uma reação em tempo real. 

4. Compreenda o código cultural e defina o papel da sua marca 

Antes de publicar, analise como o público está falando: frases recorrentes, memes, hashtags, referências e o tom da conversa. Com base nisso, adapte essa linguagem à personalidade da sua marca e defina que papel ela desempenhará no momento cultural: uma participação orgânica, uma ativação oficial ou um conteúdo reativo. Ter um papel claro desde o início facilita uma tomada rápida de decisões quando a conversa atinge o ponto mais alto. 

5. Ative uma resposta ágil 

Momentos culturais geralmente evoluem em questão de horas. Ter diretrizes pré-aprovadas, modelos de criativos e um processo ágil de aprovações possibilitará a participação da sua marca enquanto a conversa ainda tem relevância e não quando o interesse já diminuiu. 

6. Mensure o impacto e documente as conclusões

Avalie o desempenho da sua participação comparando-a com a magnitude do momento cultural, não apenas com as métricas internas. Além das menções e do alcance, analise o conteúdo que foi compartilhado, comentado ou escolhido pelo público. Por fim, documente quais territórios, formatos, códigos culturais e tempos de reação funcionaram melhor, para que a próxima ativação seja mais rápida e eficaz.

Fonte: YouScan. Análise: Víctor Alfonso López Ramírez. Período: de 1 de janeiro a 27 de maio de 2026. Mercado: México. 

Transforme milhões de conversas online en uma fonte de insights de mercado

Monitore e analise as menções em redes sociais sem esforço com a YouScan. Garanta que sua marca permaneça saudável e destaque-se com seu público-alvo. 

Ao solicitar uma demo, você terá a oportunidade de:

  • Compartilhar suas necessidades e especificações de Social Listening;

  • Ter uma demonstração personalizada mostrando YouScan pode atender suas necessidades;

  • Explorar soluções e estratégias personalizadas projetadas para os desafios únicos da sua marca.



Basta enviar suas informações, e nossos especialistas irão guiá-lo através da abordagem inovadora da YouScan para a escuta de redes sociais impulsionada por IA.